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Mundos

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Sangrou dos dedos porque o coração fraquejou. Algo inesperado a arranhou nas mãos com o lado mais àspero de um mundo partido em dois. Fícou com o lado do mundo rico em imaginação, privado da realidade de outrora. Contou a percentagem de tempo que dedicou a pensamentos perversos, a fugas e sonhos, e foi bem mais que a metade do mundo que lhe sobrou. E pensou  que os mundos não acabam, as pessoas é que acabam com eles. Viram-lhes as costas e põe-nos de castigo. Olhou novamente para o mundo que o destino lhe deixou. E viu-o cheio de uma infinidade de absurdos que nem sequer precisavam de parecer verosímeis porque eram verdadeiros. Desfigurou-se e não voltou a ser quem era. Sentiu as entranhas a arder na tentativa de sacudir a tristeza. Sempre preferiu as quedas repentinas. E foi aqui que entrou o seu amor. O mundo inteiro vazio, continua lá. Já dizia George Santayana: "...

Nuvem de Extase

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Saudades de atravessar uma nuvem de extase? Será mais decente trabalhar para esquecer, do que beber para o engano. Um homem de coragem nunca morre. E a realidade será sempre sólida como uma rocha, no topo de qualquer amor. Ser um homem livre. Procurar o prazer fugaz mas intenso. Esmagar a indecisão e encher os pulmões de ar renovado. Fintar os teus próprios demónios. E quando sorrires a uma recordação arrumas-te o passado.

Versátil

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Sentia-se a rastejar na tristeza como uma cobra com a espinha partida. Fez o guardanapo numa bola, levantou-se, e pensou: Podes não ser bela, talvez nem sejas bonita. Mas irradias uma luz, que obriga os homens a correrem atrás dos teus reflexos. Versátil? Sou. Mas não em questões de amor. Incapaz de te amar á ligeira. Há que juntar os cacos, e recompor o meu mundo a ver se ainda se parece com qualquer coisa. E descansou a cara nos olhos dela, e chorou e riu ao mesmo tempo. Já dizia Helen Keller: " "Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar".

O Adverso

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Vim aqui para te segredar coragem aos ouvidos. Se te sentes arrastado para onde não queres ir, não tenhas medo. Acabarás por encontrar caminhos em ti  novos e surpreendentes. Acendes luzes na escuridão e aprendes que não estás só quando tens o bem mais precioso: tu próprio. É como se alguém, fora de ti, te conduzisse a um lugar maravilhoso onde nunca saberias chegar com os teus pequenos sonhos. Sem adversários, não há troféus pois não pode existir um vencedor onde não há vencidos. Derrota os teus  inimigos interiores e lembra-te que o medo da tragédia é pior que a própria tragédia. A única desgraça completa é a desgraça com a qual nada aprendeste. E lembra-te que a adversidade é o primeiro caminho para toda a tua verdade. E não faz mal a ninguém apanhar com a chuva da vida na cara, de vez em quando. Faz-te sentir. E por último deixo-te o conselho de Fénelon: "Tão somente o infortúnio pode conve...

Angel

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Agora entendo o porquê da minha escolha. O desejo de Thierry Mugler era criar uma fragrância com a qual uma criança gostaria de presentear sua bela mãe. Por isso a ternura infantil é a primeira nota da fragrância. As características fortes e realizadoras da feminilidade madura e experiente são progressivamente desenvolvidas. Esta nota representa a mulher paradoxal de Thierry Mugler, pura e sensual, terna e conquistadora. A nota celestial: um mundo novo de pureza. Uma vibração pura, transparente e ligeira, este fôlego penetrante coloca a fragrância à parte, com uma nota azul para evocar o espaço infinito. As notas deliciosas: todas as recordações da infância. Altamente recomendável.

Espalhem a Noticia

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Há musicas que nos tocam tão fundo que nos fazem transbordar dentro de nós próprios a profundidades impensáveis. Os clã e o Sérgio Godinho sabem bem do que falo. Espalhem a notícia do mistério da delícia desse ventre Espalhem a notícia do que é quente e se parece com o que é firme e com o que é vago esse ventre que eu afago que eu bebia de um só trago se pudesse Divulguem o encanto o ventre de que canto que hoje toco a pele onde à tardinha desemboco tão cansado esse ventre vagabundo que foi rente e foi fecundo que eu bebia até ao fundo saciado. Eu fui ao fim do mundo eu vou ao fundo de mim vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher bonita. A terra tremeu ontem não mais do que anteontem pressenti-o O ventre de que falo como um rio transbordou e o tremor que anunciava era fogo e era lava era a terra que abalava no que sou Depois de entre os escombros ergueram-se dois ombros num murmúrio e o sol, como é costume, foi um augúrio de bonança sãos e salvo...

A Lista

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Este ano não faças listas de coisas a fazer. Evita que vejas mais tarde tudo o que não conseguis-te cumprir. As promessas que nunca levas avante. A lista que agora escreves, não mais que desejos á pressa transcritos. Vontades imediatas que cada ano se vão reduzindo. A lista esfrega-te na cara que estás a envelhecer. Que afinal a vida depois de desengordurada perde o interesse. Por isso aproveita, enquanto não te lembras de fazer listas, é sinal que não te vais esquecer de nada e dispensas a cábula de pensamentos contaminados.