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Praticamente Falando
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Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. As pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito.Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de ho...
O Coração Não Pára
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Aquele coração podia cortar diamantes. E por mais estranho que parecesse, sempre viu bem melhor do que os meus olhos. Afinal p ara um coração nada é pequeno. O vácuo, era-lhe insuportável. E sempre que se prendia, deixava ao espírito muitas liberdades. Apenas o teu coração é capaz de fecundar sonhos gigantes. Pena é não haver um manicómio para corações loucos porque para cabeças há muitos. Para mim, o teu coração pesa-me demais nos ombros. Melhor mesmo é leva-lo dentro do meu.
Às vezes é necessário
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Romper uma vida. Descoser costuras e deixá-las caír sem embaraço. Desligar um botão qualquer. Antes romper que estrangular. Afinal a afeição, deve ser sempre um processo lento para não nos pregar uma partida sem hora marcada. As desilusões domésticas têm o seu tempo. Agustina Bessa-Luís diz que as desilusões se transformam em cicatrizes que vão desaparecendo com o passar dos anos. E que é por isso é que nos velhos casais há uma recordação da vida em comum que se assemelha à santidade. Contam peripécias leves e dão ao passado um colorido quase caricato pela força do distanciamento em que se encontram. A verdade é que sofreram os mesmos desenganos e turbulências que hoje arrumamos, e pomos de lado sem darmos tempo de se transformarem em recalques. É uma explicação real, que normalmente não queremos pensar mas é necessária.