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Emoção

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Esse cavalo selvagem, que correu destino acima, sem que ninguém mais o visse. Pele morta dos dias passados. Montanha de emoções, hoje russa. Vontade inflamada de sensações ausentes. Nada mais deprimente do que estar fechado em si mesmo. Alberto Caeiro já escrevia: "Preciso despir-me do que aprendi.  Desencaixotar minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu.  Uma aprendizagem de desaprendizagem."

É estranho ver

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Como as pessoas descartam a vida num ápice. Despedem-se das mulheres e dos filhos como quem volta ao final do dia. Mesmo, não sabendo muito bem o que isso significa. Mas é para mudar, muda-se, e depois logo se vê. As pessoas atropelam as vidas, porque está na moda ser feliz e mostrar sorrisos. O que está a dar é ser disponível. Não queimar a barriga de volta do fogão e da febre dos filhos que atropela as noites. Cuidar do cuidado é palavra de ordem. Seja o que for, é o que se tem. 

Resta-me apenas

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Uma gratidão a quem me amou. Mas é uma gratidão abstracta, pasmada, mais de inteligência do que de qualquer emoção. Tenho pena que alguém tivesse tido pena por minha causa, é disso que tenho pena e não tenho pena de mais nada. Fernando Pessoa Livro do desassossego

O mal da familia

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É a facilidade em desrespeitar a falta de tempo. Acreditar que as relações dão dados adquiridos. E que todos mandam a seu grosso modo. Que conquistar e agradar é só fora de portas. Que o espaço e tempo é delegado. Como dizia Miguel Esteves Cardoso: "É pensar que aquele amor já é assunto arrumado."

Os homens convenceram-se

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De que, por natureza, são infiéis. Porque foram concebidos para cobrir todas as fêmeas do planeta. Vontade não lhes falta; o problema é não contarem com a colaboração das ditas, para além da falta de tempo e de paciência para seduzir as que, de certezinha, se deixariam levar." Fonte -  Revista Nós - Jornal i (2009) Miguel Esteves Cardoso

Eu sei, mas não devia

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S air apressada. Acelarar estrada fora. Fumar. Habituar-me a salas fechadas.  À luz artificial.  Ao choque que os olhos levam em contacto com o sol.  Comer mal. Deitar-me tarde. Dar muito tempo ao portátil e ao telemóvel. Andar pouco a pé. Hábitos de auto convencimento para preservar a pele,  para poupar o peito.  Para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e se perde de si mesma. E eu tenho-me habituado cada vez mais.  Talvez o  segredo do meu futuro esteja escondido na minha rotina diária.

Que o Paraíso Esteja no Fim da Estrada

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