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O Amor Não é Trabalho Para Preguiçosos
Esta cabeça está tão cheia meu amor. Tão cheia do peso, que o coração de tão pequeno não consegue carregar. Que sonhos tens tu agora? No meio do calor tórrido do deserto? As coisas que tenho apinhadas na cabeça são tantas que se empurram umas ás outras. Como as mulheres fazem na altura dos saldos. Como quem arranja um espaço impensável no metro apinhado, até as portas lhe entalarem os dedos. Como a quem falta o ar no elevador pesado, obrigado a parar antes do piso certo. Há um limite muito ténue na dúvida e na tomada de decisão. Passar o limite é uma questão de um segundo. De uma decisão que se toma ou não. Só nos apercebemos da importância dos nossos actos quando o segundo passou. Desperdiçio ou ganho. O amor não se entrega aos preguiçosos. Entre o seguir a direito numa marcha lenta, ou fazer-se um rápido desvio, jogamos a nossa própria existência. Já dizia Renard: "A Preguiça não é mais que o hábito que se contraiu de descansar antes da fadiga"
Erva Daninha
A erva daninha que atacou a raiz da minha flor morreu hoje. Atacou todo jardim onde estive plantada anos a fio. Sugou toda a água e foi-me tirando a vida assim de repente. Foi crescendo, verde e viçosa a atacar pelo meio das minhas folhagens sem ser vista, escondida cá em baixo. E de repente passou alguém, assim, inesperado e viu uma flor rara, única. Mas sentiu-a doente, amarela. Espreitou a terra seca, a morrer de sede, abriu as folhagens e viu a erva daninha já enorme a consumir tudo á volta, a comer os ultimos sinais vitais da flor. Num impulso puxou a erva daninha, com tanta, tanta força, que os dedos deitaram sangue num ardor sem fim. A seguir atirou uma semente. Hoje existe um jardim imenso em pleno inverno.

Comentários
Com um ramo de :-) (sorrisos)