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Roubei

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Como um cavaleiro audaz roubei a lua. E com ela as pequenas grandes verdades. As verdades brancas, que se passeiam como nuvens á frente da janela dos nossos destinos. Roubei a verdade de rir de morte desta cumplicidade acutilante. Roubei a fé da única árvore crente que vivia de braços abertos para o céu. Roubei os teus segredos e misturei-os com os meus, para que se guardassem mais. Roubei a raiz da razão, é que na verdade já nem te lembravas dela. Pensei em roubar a pedra do nosso caminho. Mas as pedras toda a gente pisa. Pensei que talvez tenhas mais verdades que eu, e na esperança dessa verdade ser verdadeira abracei-as como se fossem minhas. E na distracção de roubar o que não era meu o coração disparou. E sem perdão, levaste-me desprevenida pendurada de cabeça para baixo no teu ombro. Lá diz o ditado: Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão.

Tropa de Elite

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Lembrei-me há pouco deste filme e de uma frase que por aqui ficou perdida na cabeça e no coração: "Nóis goza, mas nóis sofre de culpa" Nada mais verdadeiro, e que se pode aplicar a tanto nas nossas vidas. Esta é a grande guerra do dia a dia. A inércia e a maldade, são sempre operadas a sangue frio pela culpa. A culpa será sempre uma péssima conselheira, porque se existe algo correu mesmo mal. Assaltar um coração é crime contra o amor? Saquear e pilhar o que se deu a alguém é legal? Roubar a esmola da cumplicidade dá prisão? Piratear o pensamento dá multa por exclusividade de direitos de autor? E sorrir de colarinho branco á despedida dá absolvição? Os culpados, poderão ser livres aos olhos da sua própria justiça. Mas ficarão para sempre, presos nas teias enroladas dos pensamentos em sobressalto. A punição que se sente na culpa, é como rematar uma bola em direcção ao céu e esta, desafiando a gravidade, desaparece. É impossível não ficar á espera que ela volte.

É Carnaval O Amor Não Leva a Mal

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E agora que é Carnaval, a única época assumida dos disfarces, é altura de dividir algumas reflexões. O amor persistente no tempo, nunca poderá ser o tema para uma história de amor, mas para uma farsa, um drama ou para um conto de terror, à la "Dormindo com o Inimigo". No cinema e nos livros, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam, ou quando o grande amor bate contra o muro de cimento. No Carnaval, ninguém levaria a mal a promessa do amor para sempre. O The End das histórias com o - e viveram felizes para sempre, deixa-nos a sonhar com a paixão como consequência definitiva. O destino adverso que separou os amantes, perderia o seu valor trágico se fossemos racionais e verdadeiros. Será que Romeu e Julieta continuariam a amar-se, se um dia conseguissem deitar-se juntos sem que o Romeu tivesse que escalar todas as noites a casa de Julieta? A apanhar frio, a cair vezes sem conta, a rasgar os lençois dela em cetim com os botins afiados, a assoprar de raiva nas noit...

Se Tu Viesses Ver-me

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Um homem surpreender uma mulher, a meio de um dia de trabalho, com um poema sublime da Florbela Espanca só a pode obrigar a uma paragem obrigatória. "Se tu viesses ver-me hoje à tardinha A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses todo nos teus braços. Quando me lembra: esse sabor que tinha a tua boca, O eco dos teus passos. O teu riso de fonte. Os teus abraços. Os teus beijos. A tua mão na minha. Se tu viesses quando, linda e louca, Traças as linhas dulcíssimas dum beijo. E é de seda vermelha e canta e ri. E é como um cravo ao sol a minha boca. Quando os olhos se me cerram de desejo. E os meus braços se estendem para ti."

O Ilusionista Na Ilusão

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E a criança quer ser ilusionista. Com a magia dos deuses a saltar-lhe das mãos. Também eu quero ser. Arrancar coisas do chão. Do chapéu e do coração. Talvez assim me encontre a mim. Sem nunca perder a caixa dos segredos. Com os meus olhos a fazer estremecer o chão que não pisas. E não estender as cores do arco iris ao sol para não debotarem. Magicar um truque para que a solidão nunca mais fique sózinha. E com carácter de urgência agarrar qualquer coisa para te mostrar. Mesmo a custo de muito fingir. Atordoava o marasmo com o spray do fantástico. Construia com a mão aberta uma cama de espuma. Fazia desaparecer o colchão errado onde deitas todas as noites o corpo em sobressalto. Fazia o orgulho consumir os orgasmos suspensos. E continuaria a encantar-te. Fazia desaparecer da tua mão o copo da cerveja vazio como um final de verão. E fingia não matar a tua sede na perfeição. E para terminar punha a lua a fingir que não sorri do espanto que somos nós.

Ele Vem Aí?

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Talvez o grande amor tenha posto os pés ao caminho. No meio do sorriso de duas crianças de mãos dadas. No lar doce lar onde moram duas histórias. Desenganem-se, porque o grande amor não se chama eterno. Nem tem como segundo nome perfeição. Só e apenas verdadeiro. A espera que não marcou hora, e que ficou na fila das chegadas. A compreensão teimosa, não se vai cansar de insistir em nós. As dúvidas vestidas de oportunidades, porque as certezas passaram de moda. A distância a perder o braço de ferro com o perto. E nós apanhados na explosão de gargalhadas a saltar das bocas inquietas. As palavras reféns na prisão dos olhos, resgatadas pela boca a arrombar a porta do coração. O respeito a ganhar por maioria e á primeira volta. A ternura sem cautela e com sabor a algodão doce. Os primeiros beijos dados com os olhos a rodopiarem em passos persistentes. O abraço a apertar dois corpos numa alma só. Querer estar preso por uma vontade. A caminho vem o grande Amor. O que não teme a escolha porque ...

Abre

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- Abre amor. - Abre o presente agora. E ele com as mãos trémulas, desapertou a fina fita de cetim e fixou os olhos na saudade. Leu o bilhete que dizia: A saudade é que te vai ter agora. Ela vai visitar o teu coração regularmente sem avisar. E se a saudade te quiser torturar, sorri porque assim trocas as voltas à dor. A saudade é paz amor, acredita. Quando a sentires é porque já foste feliz. Antecipaste a hora da saudade, porque o ponteiro do teu relógio estava sem tempo como sempre. Não enlouqueças amor nestas horas sem pressa que virão agora. A saudade vai-te roubar as incertezas. Vai-te fazer crescer uns olhos fechados ao desejo. Vai acabar com o sobressalto dos segundos infinitos dos reencontros, onde nunca se acalmava a ânsia de nunca ter. Bebe a saudade como quem bebe um shot, queima mas bebe-se logo de uma vez. Deixa o sonho sonhar agora por ti. Pode ser? Sofre em paz, porque o pior dos sofrimentos é não saber o que é sofrer. Faz uma cara saudável, treina ao espelho se for precis...